quinta-feira, 18 de abril de 2013

"livros no tempo do sofá"

Memórias de um Rato de Hotel, o presente que me dei no Natal. (Foto: Dez/2005)
Memórias de um rato de hotel - vida do Dr. Antônio narrada por elle mesmo. "Descobri" esse livro por indicação do Rodrigo Sputter (Vocalista dos Honkers (BA), e a primeira coisa que me chamou a atenção foi o título curioso, não captava o que viria a ser um "rato de hotel". Romance policial muito interessante onde nas 2 vezes que eu li fiquei totalmente entretido no texto. Creio que foi o primeiro livro que "devorei"... lembro de ter lido em poucos dias (normalmente sou vagaroso nas leituras).

Dr. Antonio foi um célebre ladrão da Belle Époque que ficou famoso por seus roubos inteligentes em diversos hotéis, onde se hospedava com identidades diferentes. O seu verdadeiro nome era Arthur Antunes Maciel, gaúcho de família respeitável levado ao crime por um destino atroz: não resistir à vida fácil e ao amor das mulheres. Suas histórias são picarescas e dotadas de muita esperteza. É um relato de extrema sinceridade, narrado por ele mesmo, quando estava preso na Casa de Correção, um ano antes de sua morte, aos 43 anos.

O Dr. Antonio professava a filosofia de que a mentira está na base de todas as instituições humanas – inclusive a Justiça. Assim, se o engano é universal, não haveria mal em furtar...

O livro é o nº 6 da Coleção Babel da editora Dantes (RJ).

terça-feira, 16 de abril de 2013

and this will be our year...

Ontem quando fui me deitar pus um disco que a muito tempo não ouvia... Odessey and Oracle do The Zombies! O resultado disso foi passar todo o dia de hoje com uma música na cabeça!!
"You don't have to worry all your worried days are gone and this will be our year! Took a long time to come..."

sábado, 13 de abril de 2013

Enquando isso a vida vai passando

E eu me sentindo cada vez pior...

quarta-feira, 6 de março de 2013

Via Láctea

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo 
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto, 
Que, para ouvi-las, muita vez desperto 
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las! 
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".




Gosto muito desse poema do Olavo Bilac... Ele jamais poderia imaginar que um dia os astrônomos poderiam, por intermédio das antenas de seus radiotelescópios, captar os ruídos provenientes das estrelas.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Eu não tou legal mas aguento mais birita...

E olhe quem eu nem bebo!! mas a situação tá foda!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

27 anos e nada... nada
O que parece é que as escolhas que fiz na vida foram todas erradas...  :(
"I could have been a sailor, could have been a cook
A real live lover, could have been a book.
I could have been a signpost, could have been a clock
As simple as a kettle, steady as a rock.
I could be
Here and now
I would be, I should be
But how?
I could have been
One of these things first"

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O trovador solitário


Não! Não estou me referindo à Renato Russo, mas sim a um outro trovador: Nick Drake. 

Poucas vezes na música se viu a capacidade de combinar melancolia em acordes tão dissonantes, beleza harmônica com temas bucólicos e até mesmo cotidianos. 
Compositor, poeta e cantor... morreu jovem e sem o devido reconhecimento! Foi mais um, dentre tantos, que só tiveram o devido valor reconhecido após a morte.
Nascido em 19 se junho de 1948 no interior da Inglaterra. Fez tudo como manda a regra: era bastante educado, destacando-se na escola. Ganhou uma bolsa de estudos em Literatura Inglesa na Universidade de Cambridge e nesta época começou a usar maconha, viajou com amigos para o Marrocos e teve sua primeira experiência com LSD. Seus tutores na universidade o descreviam como um aluno brilhante, porém sem vontade de desenvolver seu potencial. O que contrapõe seu estudo nas seis cordas do instrumento acústico, onde se tem relatos de uma aplicação com disciplina exacerbada. 
A morte do cantor é uma incógnita, alguns dizem que Drake teria se suicidado e o inquérito oficial diz que ele morreu por uma intoxicação aguda auto-administrada enquanto sofria de uma depressão , concluindo como suicídio. 


DISCOGRAFIA:

FIVE LEAVES LEFT: o álbum rural 
As sessões de gravação de Five Leaves Left começaram em Junho de 1968. O trabalho de composição estava há muito concluído e só faltavam mesmo os arranjos. Por insistência de Nick, essa tarefa foi confiada a Robert Kirby, um colega de Cambrige, com quem Drake viria a trabalhar também no disco seguinte. O título foi retirado do subtil aviso que acompanha cada pacote de mortalhas Rizla, avisando que este se aproxima do fim. O álbum saiu em 1969 e vendeu cinco mil cópias, número considerado interessante para um disco de estreia que não havia merecido qualquer esforço de divulgação.
Five Leaves Left é um impressionante primeiro álbum. Não sendo ainda uma colecção equilibrada de canções, inclui uma boa mão cheia das melhores composições que o seu génio legou à posteridade – “Time Has Told Me”, “River Man”, “Way To Blue”, “Day Is Done” ou a profética “Fruit Tree”. Não que se deva menosprezar o apuradíssimo trabalho de guitarra sobre o qual se constrói “Three Hours”, a ingenuidade em jeito de canção de embalar de “Cello Song” ou a inteligência precoce e a comovente lucidez que se encontram em “Saturday Sun”, tantas vezes injustamente esquecida, quando se tenta esboçar o alimento para um (im)possível Best Of. Se existe alguma pertinência nesta distinção, ela tem que ver precisamente com o alinhamento, a temática, enfim, com a concepção do disco, não estando nunca em causa a validade das canções enquanto pequenos e inestimáveis tesouros artísticos.
Apesar de estarem presentes em todos os trabalhos de Nick Drake, o tempo, os ritmos e os ciclos naturais (as estações do ano, os dias da semana, a corrente de um rio) são os protagonistas de uma obra que poderia muito bem servir de fundo sonoro a uma leitura das Songs of Innocence, de William Blake, a quem Drake deverá certamente muito na forma como utiliza os símbolos na construção poética. Assim como deverá também a Robert Kirby, cujos arranjos são em boa parte responsáveis pela ambiência inimitável e pelo esplendor lírico do disco.

BRYTER LATER: o álbum urbano
Após o lançamento do primeiro álbum, Nick Drake abandonou Cambrige e trocou Tanworth in Arden por um quarto estúdio em Haverstock Hill, Londres, na esperança de se tornar músico a tempo inteiro. Foi nesse pequeno espaço, mobilado apenas com uma cama, um gira-discos e uns quantos livros e posters que compôs as canções para o seu segundo álbum, Bryter Layter. Como da primeira vez, a Island não poupou esforços para garantir ao jovem compositor todos os meios necessários para a elaboração do disco, que seria como que uma prova de amadurecimento pessoal e artístico. Nomes como o de John Cale serviram para dar ainda mais credibilidade ao projecto, que deveria finalmente permitir ao tímido artista alcançar o tão desejado reconhecimento público.
Quando o disco foi lançado, em Novembro de 1970, a atmosfera era de confiança. Potenciais singles de sucesso não faltavam: “Nothern Sky”, “One Of Those Things First”, “Hazey Jane II”, “Poor Boy” ou “At The Chime Of a City Clock” eram fortes candidates à conquista de tempo de antena nas estações de rádio. Mas, mais uma vez, as esperanças saíram logradas e, num ano em que a “concorrência” foi particularmente forte, Bryter Layter acabou por ser preterido face a outros discos que fizeram história (II, dos Led Zeppelin; Imagine, de John Lenon; Sticky Fingers, dos Rolling Stones ou Bridge Over Troubled Water, de Simon & Garfunkle).
Bryter Layter é, porventura, o seu trabalho mais acabado, o mais consistente, o mais perfeito no seu conjunto. Na composição, é notória a convergência de todas as referências num todo mais equilibrado e harmonioso, que se nota ter sido explorado e polido com minúcia, paciência e virtuosismo. Na escrita, a paleta cromática expande-se para lá do azul e do verde, e descobre o cinzento. O pulsar incessante e frenético da metrópole apela ao desejo de evasão e leva Nick Drake a procurar refúgio no mesmo silêncio contemplativo e inquieto a que já se tinha entregue na sua pacata Transworth-In-Arden. Bryter Layter é melancolia pintada com as cores e as luzes da cidade, reconstruída pelo artista sobre a tela cinzenta da atmosfera pesada, do burburinho, das torres e dos relógios.
Por tudo isto, Bryter Layter é menos místico do que o seu antecessor. Mas não menos assombrado. Na cidade, o artista já não pode fugir à condição humana. Continua a ser um outsider, um estrangeiro que se sente nas entranhas, o contraste absurdo entre a paixão pela existência individual e o determinismo do imparável fluxo das pessoas e do tempo. Mas este é um tempo diferente, não na essência, mas no ritmo. Talvez por isso, Bryter Layter seja considerado por muitos como o disco mais “mexido” de Drake. Um clássico absoluto e uma delícia para os sentidos logo a primeira escuta.

PINK MOON: o álbum solitário
Imediatamente a seguir ao lançamento de Bryter Layter, Nick Drake deu a sua única e brevíssima entrevista. Nessa altura, manifestou vontade de fazer um disco só com guitarra e voz. Em 1972, durante duas noites, fechou-se no estúdio com Joe Boyd e gravou as 11 canções que constituem Pink Moon. Conta-se que terá deixado a master tape nos escritórios da Island sem avisar ninguém, e que terão passado dias até alguém dar conta disso.
Agredido no seu sentido de justiça e nas suas esperanças, Nick Drake começara a encerrar-se cada vez mais sobre si próprio, atormentado pela ideia de ter que trabalhar em qualquer outra coisa para sobreviver. O seu estado começou a deteriorar-se visivelmente e Pink Moon, o derradeiro trabalho de estúdio, é o documento dessa decadência. Se no disco anterior Drake mostrara ser capaz de exorcizar os seus demónios com uma certa dose de ironia e distanciamento (“Poor Boy” é disso o melhor exemplo), em algumas canções de Pink Moon o artista cedeu à auto-indulgência e a uma atitude niilista, como se pode verificar em “Parasite”.
O isolamento a que Drake se votou conferiu ao álbum uma atmosfera crua e intimista. Estas características tornaram-no difícil para o ouvido menos atento. A primeira reacção será de estranheza em relação à nudez da forma e à ausência de arranjos. Mas no fundo está tudo lá: o ritmo, a melodia, o tom sussurrado, a poesia. Contudo, é fácil ver que este disco também não iria fazer do seu autor uma estrela. E, no entanto,Pink Moon é um retrato sem paralelo da essência e da arte do seu criador. Canções como “Pink Moon”, “Place To Be”, “Things Behind The Sun”, “Parasite” ou “From The Morning” são testemunhos da agonia e luta desesperada que marcaram os últimos anos de Nick Drake. Despidas de todos os ornamentos, estas composições constituem simultaneamente as suas Songs of Experience e um derradeiro retorno às origens a que apetece regressar vezes sem conta.

TIME OF NO REPLY: o álbum póstumo
As “sobras”, versões alternativas e gravações domésticas reunidas no póstumo Time Of No Reply revelam aspectos essenciais da arte de Drake e fazem do disco um objecto deveras interessante. Frank Kornelussem escreve no livreto do CD que “as histórias sobre a vida de Nick Drake são tantas e tão diversas como as pessoas que as contam”. Nos dias de hoje, em que assistimos impávidos ao definhar das utopias, o espólio de Nick Drake apela ao que de mais primitivo e absoluto existe na consciência universal – o desejo de transcender a própria existência. Fazendo frente ao absurdo, na completa ausência de esperança e munido apenas de uma consciência pessoal do cosmos e da história, o artista tenta combater a tirania da indiferença do tempo e a supremacia do esquecimento sobre a memória dos homens.
Há um desespero pacífico que ensombra a obra de Drake e que transcende as barreiras da linguagem, da individualidade, do senso comum e do próprio tempo. Para alguém que viveu uma vida tão curta, o universo de Nick Drake é incrivelmente vasto, por vezes num sentido quase diabólico de intensidade e iluminação. Mas as sombras que povoam esse universo não são suficientemente densas ou imateriais para serem tomadas nas trevas. Ao contrário de Fausto, Nick Drake é demasiado cristalino para ser diabólico. Talvez para nós, filhos dos anos 80 e 90, o seu conhecimento do mundo e das coisas pareça demasiado interior, demasiado mágico. No entanto, essa sabedoria é impírica e concretiza-se na sua arte.
Nick Drake acreditava na transcendência, num plano mais elevado do espírito. Provavelmente, a reconstituição mais abrangente dessa busca e desse apuramento encontra-se em Time Of No Reply. Esta compilação de 14 temas inclui cinco canções inéditas e duas versões alternativas (“Man In A Shed” e “The Thoughts Of Mary Jane”), provenientes das sessões de gravação de Five Leaves Left. A estas juntam-se as quatro canções registadas durante a derradeira sessão de estúdio que Nick Drake realizou em 1974.
Extremamente desequilibrada enquanto disco, esta colecção de composições dispersas trata de conferir uma materialidade inédita ao percurso artístico e pessoal de Drake, principalmente por incluir duas gravações domésticas. Gravações que, com uma qualidade de som duvidosa, mostram uma faceta quase desconhecida do autor: a de trabalhador incansável, perfeccionista, compulsivo, muito para lá das atribulações da vida e da mente. O interesse que despertam é tal que se aguarda para breve a edição de uma caixa que incluirá grande parte desse espólio. Será certamente bem-vinda, como qualquer outro esforço válido para preservar uma obra que merece um lugar cativo nas nossas memórias e, hoje mais do que nunca, nas nossas vidas.

Fonte web




quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Florbela

Florbela Espanca a noite,
Queimando em seus lençóis.
Sorri enquanto dorme,
Veronal

Werther verteu-se em flores,
Mas não consegue chorar.
Por onde andam as cores,
Que o sol quis... vomitar??

Murrah me trouxe horrores,
Fez Rimbaud se curvar.
Ruinas cegas das torres,
Por onde Ismália andará??

- Metralhando o céu... entre a lua e mar.
- Metralhando o céu... resvalando o ar.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Solta o Blues... com uma pitada de rock!

Tentarei expor abaixo alguns de meus discos favoritos de Blues/Rock, estilo o qual aprecio muito. 


The Sacred Mushroom (1969)
Sacred Mushroom é mais um disco da minha prateleira e mais um que consegui em 2007. Sem titubear eu diria que esse é um dos meus discos preferidos independente de estilo... sempre escuto e cada vez eu gosto mais! Esses cogumelos são realmente sagrados! Som bacana em uma mistura de blues/rock com uma pitada psicodélica.








Canned Heat - Future Blues (1970)

Canned Heat... uma das bandas que eu acho mais legais no estilo. Poderia citar aqui qualquer disco dos caras, porém, aqui eu coloco o Future Blues (1970) pois, foi o último disco lançado com a formação clássica contando com Bob "The Bear" Hite nos vocais e o guitarrista Alan "Blind Owl" Wilson.








Savoy Brown - Street corner talking (1971)
Savoy Brown é uma das bandas que conheço que mais mudou a sua formação (até mais que os Engenheiros do Hawaii). Hoje em dia creio que apenas o guitarrista Kim Simmons ainda resiste na banda. Esse disco, lançado em 1971,  marcou a primeira grande mudança no line up do grupoO disco está na minha prateleira desde 2007 e sempre vai parar no player. 







Krokodil (1969)

Krokodil é uma banda Suíça e lançou o primeiro disco em 69. Esse é o meu favorito do grupo, e é o que tem o som mais voltado para o blues. A versão que eles fizeram para a musica do cantor Folk Tim Hardim "Do not make promises" é fenomenal!
  

terça-feira, 19 de julho de 2011

sem nome

Meus dedos enforcam as palavras que nunca foram ditas
Esmagam os sonhos que nunca foram realizados
As imagens se vão sem nunca serem vistas
E levam os erros sem nunca terem sido perdoados

Minha mente imagina que ainda posso ser forte
E que eu ainda possa viver
Mas o que vejo é a triste morte
Que irá me enlouquecer

Estou perdendo a noção de tudo
Preciso que alguém estenda sua mão
Não posso enxergar o mundo
Pois estou preso na escuridão

Tudo o que faço é fugir da realidade
Fingir que é alegre o meu sorriso
Estou vivendo nessa insanidade
Esperando você me tirar desse abismo

segunda-feira, 18 de julho de 2011

strange...



"Agonizo se tento
retomar a origem das coisas
sinto-me dentro delas e fujo
salto para o meio da vida
como uma navalha no ar
que se espeta no chão

Não posso ficar colado
a natureza como uma estampa
e representá-la no desenho
que dela faço
não posso
em mim nada está como é
tudo é um tremendo esforço de ser."





"Strange days have found us.  Strange days have tracked us down..."
(The Doors - Strange days) 

segunda-feira, 11 de abril de 2011

O acaso não tem pressa

Vou me basear na letra de Paulinho da Viola para postar!
"Aproveitou minha ausência
E jurou de mão no peito
Entregou os meus defeitos
Fez a cama onde me deito

Para 'ele se deitar'..."

:(

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Quando eu fui ferido...


AO CORAÇÃO QUE UM CORAÇÃO TRAIU

Ah! Se eu pudesse, coração ferido,
Vingar as mágoas por que tens passado!
Sentir-te duro te sentindo amado
Por que te fez de coração traído.

Ah! Se eu pudesse para ver vencido
O ser que te fez de coração chagado,
Já que de tanto não te é chegado,
Já que de tanto nâo te é podido;

Ver-te querido; e apaixonado e, louco;
Ter-te no peito pelo mesmo afeto
Mas, nesse afeto, de coragem firme

Ao ver quem foi os teus carinhos mouco
Mostrar vingança pelo mesmo afeto
E o estrangular te estrangulando a rir-me.

JOÂO LINS CALDAS (1888-1967)

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Keith Richards e as Baratas


Quando a bomba H tiver explodido
quando não houver mais chocolate
quando David Bowie morrer
eis que baratas brotarão da terra
com suas asas blindadas
suas antenas raio-laser
então Keith acordará do pó
com seu fígado invencível
com seu encéfalo de lítio
juntos para vencer o caos nuclear
para almoçar detritos
para continuar a vida...

terça-feira, 15 de julho de 2008

Vida conjugada

"Após adormecer o fervor das pancadas sobre a pele ela observa acuada em um canto mergulhado em culpa balbucia a tremer os lábios com ar infantil: - perdão! suas lágrimas respingavam sobre as mãos inchadas e feridas ela abre os braços e lhe recebe com o coração na goela e responde rouca: - e por que não?"

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Que cidade é esta, em que tantos vivem, mas que só você vive, que só você vê? É sua a cidade dos que olham para cima? É sua a cidade dos que olham para o chão, para as calçadas, para os degraus? Ou a cidade dos que não olham, dos que não vêem? A sua é a cidade em que a barriga pesa até libertar uma nova vida, ou aquela em que não se pode falar em barriga? Conte como é a cidade dos que se dóem de amor e a das para quem o ato de amar dói. Vamos ler a cidade dos que ouvem outros sons e a dos que não ouvem som algum. A dos que tocam sons que não se ouve e a dos que não emitem sons. Como é a sua cidade, se sua cidade é sua cor? Como é sua cidade, encoberta pelo olhar viciado do cotidiano, escondida pela indiferença ou apenas tímida, recôndita: cidade invisível.

domingo, 23 de março de 2008

Na ponta de um penhasco tenho medo de pular. Tenho medo também de não pular e ficar para sempre aqui. Mas preciso pular para voar e seguir minha vida. O pior é que não sei voar e terei que aprender na hora, se não conseguir irei cair, me ferir e ter que escalar o penhasco para tentar outra vez. No céu infinito a vida e os acontecimentos, nas frágeis asas minhas experiências de vida quase inexistentes e poucas penas de sabedoria. No fim da queda do penhasco o meu próprio reflexo, o resultado de minhas ações. Quero voar, sentir, viver, me libertar, amar, crescer, construir... Mas se cair espero não querer morrer de novo...

domingo, 13 de janeiro de 2008

Psicogeografia ou...


Por onde vão passando, os meus olhos tentam ler / descortinar / interpretar / analisar / decifrar / descodificar o que a eles se mostra. Todos os objetos contêm história, razões de ser e de estar, porquê assim e não de outras maneiras...

A paisagem é constituída por criptossistemas que nos ensinam muito sobre o que há à nossa volta, no tempo e no espaço. E as cidades são fantásticas salas de aula. Se nos esforçarmos por ser alunos, claro. Somos todos professores e alunos.

A psicogeografia é o estudo dos efeitos do entorno no comportamento e sensações do indivíduo (definição aproximada da primeira, por Ratzel
). Partindo desta interessante ideia, julgo estabelecer - bem - a relação entre bem-estar, a atractividade sentidos por um transeunte num dado espaço e os elementos que nele se manifestam.

Uma vez aludi um pouco a este assunto
e penso que o meu interesse se vai renovando à medida que vou flanando por ruas já familiares e outras não tanto, ou de todo.

Pensemos no seguinte exemplo (e logo demonstrarei aonde pretendo chegar):
Um lugar de passagem
numa rua pedestre num espaço degradado (A) e uma vivenda de luxo (B). Atentemos estas duas "entidades" quanto às cores (outros factores sensíveis podem ser analisados, claro. Por exemplo, o som é também muito elucidativo para a leitura da paisagem...):

A apresenta-nos algum lixo no chão, papel de parede com anúncios publicitários, casas abandonadas, pombas e os seus nunca remunerados serviços de pintura minimalista (olhem, em Braga há exemplos de sobra...), etc.
B apresenta-nos, se preciso for, com um jardim com relvado e piscina, talvez um campo de ténis, rodeado (o jardim) por uma fronteira arbórea (cedros, normal e pobremente). A casa pode ser de tons pastel, uma porta vermelha ou castanha, etc.

Assim imaginado (penso que ambos os casos se verificam por aí) reparemos no contraste de cores:
Para o espaço A (e se for em Braga) temos muitas cores, fragmentadas, numa miscelânia repulsiva ou indiferente (na publicidade), sob um pano geral acinzentado (granito) e esverdeado (casas a servir de moradia às pombas).
No espaço B, espaço - repete-se - de estar, as cores vivas dos elementos naturais (no jardim), mistos (água da piscina ou campo de ténis) dão outro ar à coisa. E a quem por lá esteja.

Não em jeito de conclusão, pois essas são sempre insatisfatórias, apetece-me dizer algo que soará como a velha "lógica da batata": espaços degradados tendem a causar sensação de repulsa. Daí serem, muitas vezes, não-lugares. Em relação aos outros, e como temos de nos sentir bem onde moramos, evitamos ao máximo que se tornem naqueles. Salvo se formos pombas.
Também a economia (isto também não é novo) produz espaços diversos e, por consequência, sensações distintas.

Enfim, Psicogeografia ou psicose de ver Geografia em todo o lado?
Mas afinal o que não é a Geografia?

domingo, 30 de dezembro de 2007





Perante os conteúdos sofríveis que a "caixinha mágica" nos vem oferecendo ultimamente, resta-nos dignificar o termo "televisão" invocando memórias que apelem menos à imagem e mais à audição. Não seria totalmente descabido, para este propósito, lembrarmos o mega hit dos Mão Morta; contudo a escolha mais acertada será mesmo rumarmos a Nova Iorque e lembrarmos os Television de Tom Verlaine. Sendo o cenário ideal para desenvolvimentos musicais e reinvenção de estilos, a Big Apple viu nascer, no final dos anos 70, uma das bandas mais influentes da cena punk-rock ou do rock sem demais designações. E a comunidade melómana que se agitava em redor do CBGB's nunca mais seria a mesma. Trinta anos depois, é o clube mítico nova-iorquino que se encontra moribundo - pasme-se -, ao passo que a memória da banda nova-iorquina continua bem viva. O destino inexorável dos TV enquanto banda de culto começou a desenhar-se logo após o lançamento deste primeiro registo. Marquee Moon foi inequivocamente recebido como obra-prima. O álbum, surgido em 1977, chegava aos escaparates em plena explosão punk (lembre-se que datam do mesmo ano Never Mind the Bollocks dos Sex Pistols e Rocket to Russia dos Ramones) e revelava a mestria de Tom Verlaine, Richard Lloyd, Fred Smith e Billy Ficca. No entanto, a sonoridade de Marquee Moon não correspondia exactamente ao mainstream dado a conhecer pelas formações afectas ao punk-rock e aludia a um estilo mais próximo de uma no wave do que da chamada new wave. A ideia implícita parecia ser criar uma alternativa sofisticada e criativa à atitude musical predominante. Tratava-se de uma originalidade calculada, estudada ao ponto de fazer surgir uma dinâmica sonora inédita. Assim, enquanto novas formações pareciam gravitar à volta da grande investida punk e seguir o mesmo rumo, os TV conferiam aos New York Dolls e a Patti Smith uma importância superior e, à semelhança destes, davam uma nova roupagem ao formato primitivo do rock (via punk-rock) que se havia instalado no meio musical.A proeza assentava fundamentalmente no cruzamento de guitarras entre Tom Verlaine e Richard Lloyd, com o primeiro a explorar linhas mais criativas que pudessem conjugar com a guitarra mais ao estilo punk de Lloyd. Ambos protagonizaram, no entanto, a título individual, solos incapazes de descolar da nossa memória. A abertura de Marquee Moon faz-se através da guitarra de Lloyd que abrilhanta "See No Evil"; Verlaine é irrepreensível nomeadamente em "Friction", onde é a sua guitarra a assumir o papel principal. Mas seria precisamente no tema-título que incidiria o ponto alto do disco, com as guitarras a complementarem-se em saudável despique. Ousar prolongar a faixa até aos 10 minutos (ao vivo chegam a ultrapassar os 20) não era um risco que muitos optassem por correr, mas quem ouve o resultado final não se arrepende do tempo gasto na escuta. À medida que o épico avança, as palavras de Tom Verlaine começam a ganhar maior significação e é, com total concordância da nossa parte, que o ouvimos anunciar "I'm in the high point of my life". De resto, o móbil de contornar os clichés do rock esteve também presente nas prestações do baixo e da bateria, com Smith e Ficca a alinharem na mesma corrente de exploração. Apesar de não chegarem propriamente a criar músicas de expressão livre, os TV foram transparecendo uma certa indiferença pela sublevação do punk, cujo som abrasivo em aceleração fazia por vezes com que a originalidade desaparecesse no tropel. Deste mal não viria a sofrer a música destes nova-iorquinos.Ao todo Marquee Moon reúne oito faixas de inegável calibre, onde importa descobrir igualmente a escrita de versos inesquecíveis. É, na verdade, um album onde as letras se encontram, também elas, desfasadas das palavras de ordem vindas das bandas da desordem. São palavras que podem aludir ao ambiente nocturno, à beleza (o refrão de "Vénus" é mesmo sublime) ou a ambientes funestos, mas mantêm sempre uma desconcertante e perturbadora evidência do seu peso literário. Ou não fosse Tom Verlaine (nascido Tom Miller) um apaixonado pela escrita, tendo optado pelo apelido Verlaine em homenagem a Paul Verlaine (consagrado escritor francês do século XIX). Daí que Marquee Moon tenha sido, mais do que parte integrante do mais fértil período punk, um exemplo do que o rock pode originar, uma prova que contradiz afirmações falaciosas de que o rock encerra fórmulas limitadas e previsíveis, podendo sucumbir a outras descobertas musicais. A herança dos Television diz-nos o contrário. Da luta pelo estatuto de referência obrigatória, poucos saem vencedores e, de entre os bafejados pela sorte, poucos o conseguem logo num primeiro round. Os TV acertaram à primeira e concentraram a atenção depositada na banda em Marquee Moon, relegando para um plano amplamente secundário os demais registos constantes da sua discografia. Numa altura em que estão decorridos quase 30 anos sobre a primeira edição do álbum, desconfiamos que bandas como os Interpol ou The Strokes foram vítimas de um processo de clonagem que remonta a 1977. Chegou a hora de responsabilizar os culpados e citar Tom Verlaine em "Prove It": "this case is closed".

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Brigitte Beréu


Está na carta: a primeira característica do povo destas terras a chamar a atenção do olho europeu era o fato de não existir preocupação alguma em se esconder as "vergonhas". E, realmente, Caminha não errou ao comunicar tais "absurdos" ao rei português. Com certeza o melhor modo de sintetizar o perfil brasileiro se encontra na expressão "sem-vergonha". Não só no sentido pejorativo (safado, sem caráter), mas também no que diz respeito a virtudes típicas desta gente. Aqui não há vergonha em se abraçar e beijar em público, sambar nu no carnaval ou gritar baixarias em estádios de futebol. Não há vergonha em ser de religião X, cor Y ou classe Z. Não há vergonha em ser potiguar, nordestino, tupiniquim, latino americano ou simplesmente um ser universal. Não há vergonha em ser feliz ou rancoroso, de se estar amando ou execrando. Não há vergonha Brigitte Beréu é uma banda sem-vergonha. Desde "beréu", ambiente bem caracterizado pela pouca-vergonha, a "brigitte", codinome mais comum entre os profissionais que vivem de "alugar" suas "vergonhas", o(a) BB busca sempre mostrar que não tem vergonha de ser o que é. Não tem vergonha, enquanto banda de Rock, de explorar ritmos como Samba, Reggae, Ragga, Baião, Frevo, Axé, ou qualquer outro estilo não comum às guitarras distorcidas e às batidas fortes. Não tem vergonha, enquanto banda alternativa, de explorar temas como amor, saudade, amizade, e outros sentimentos que os jovens dos anos noventa, amantes de sons pesados, têm vergonha de cantar Não tem vergonha, enquanto banda popular, de explorar questões como a miséria, desemprego, repressão social, conflitos raciais ou qualquer outro assunto polêmico. Não há vergonha. Pois que a humanidade se assuma enquanto cabaré e não tenha vergonha de se aceitar. Que se acabem os temores, os medos, os pudores, e viva-se a "sem-vergonhisse". Sem-vergonhas de todo o mundo, uni-vos!!!

desdo tempos de neves...