sexta-feira, 3 de julho de 2026

Entre Doramas, Cochilos e Ovos Fritos

 



Se me perguntassem quando foi que eu soube que te amava, acho que eu não conseguiria responder.

Não foi em um momento cinematográfico. Não tocou uma música especial, não caiu uma chuva bonita e ninguém interrompeu o tempo para a gente se beijar.

Acho que fui descobrindo aos poucos.

Descobri no nosso "apertamento", onde a gente vive desviando um do outro pela cozinha, dividindo espaço no armário e aprendendo que, às vezes, felicidade também ocupa poucos metros quadrados.

Descobri nas manhãs em que acordo mais cedo para preparar o café e fritar os ovos, enquanto você ainda está vencendo a batalha contra o despertador. E, quando saio para comprar pão, a pergunta já virou um ritual:

— Quer que eu traga mais alguma coisa?

Quase nunca é sobre o pão.


Descobri também que amar alguém é desenvolver gostos muito particulares.

Por exemplo, eu jamais imaginei que um dia gostaria tanto do seu suvaquinho.

Qualquer pessoa pode achar isso estranho. Eu acho bonito.


Porque o amor tem esse poder curioso de transformar detalhes comuns em lugares de afeto. O cheiro da sua pele, depois de um abraço demorado, diz muito mais sobre felicidade do que qualquer perfume caro jamais conseguiria dizer.

Talvez ninguém entenda.

Mas também acho que o amor nunca foi feito para ser entendido por quem está de fora.

Foi feito para ser vivido por quem está dentro.


E tem os doramas.

Confesso que, até hoje, continuo convencido de que os atores são sempre os mesmos. Eles apenas trocam de roupa e de corte de cabelo e fingem que eu não vou perceber.

Você ri de mim.

Eu tento acompanhar a história.

Em algum momento, inevitavelmente, começo a piscar mais devagar... e, quando vejo, perdi metade do episódio.

Você pergunta:

— Você dormiu?

E eu, com a maior cara de pau do mundo, respondo:

— Claro que não. Eu só estava descansando os olhos.

Nunca cola.


Mas, se eu pudesse escolher entre assistir ao melhor filme do mundo sozinho ou cochilar no sofá enquanto você vê mais um dorama, eu escolheria o sofá.

Porque, no fim das contas, nunca foi sobre o que está passando na televisão.

Sempre foi sobre estar passando a vida com você.


E agora tem também as noites.

Depois do jantar, antes de dormir, você quase sempre me pergunta se eu quero pipoca.

Eu digo que não.

Mas, quando ela fica pronta, acabo comendo mesmo assim.

Talvez porque a pipoca venha com o seu jeito de insistir, com o cheiro da cozinha, com a calma de quem transforma o fim do dia em mais um pequeno gesto de carinho.

A novela das nove, que a gente assistiu fielmente do início ao fim.

Sem pressa, sem abandonar no meio, sem fingir que não estamos envolvidos na história.

É quase um compromisso nosso, desses que parecem simples, mas que vão costurando a rotina com uma delicadeza bonita.

É engraçado perceber que o amor vai mudando de endereço.

Quando somos mais novos, imaginamos que ele mora nas viagens inesquecíveis, nas declarações grandiosas, nas fotos perfeitas.

Hoje eu acho que ele mora em outro lugar.

Mora na lista de compras da geladeira.

Na louça que um lava enquanto o outro seca.

Na pergunta sobre o pão.

No café da manhã de uma terça-feira qualquer.

No nosso apertamento.

No seu suvaquinho.

Nas piadas repetidas.

Nos episódios de dorama que eu nunca consigo terminar acordado.

Na pipoca que você pergunta se eu quero e eu digo que não, mas acabo comendo.

Na novela Três Graças que a gente acompanhou do começo ao fim.

E talvez seja justamente isso que torne tudo tão bonito.

Porque, entre todas as vidas que eu poderia viver, a minha favorita é essa.

A que tem você.


Te amo.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Angélica?! Era uma coitada, uma romântica, uma boba. Acreditava no amor quando o amor morreu. Tinha dezoito anos, e se fizera mulher numa noite aziaga, de tempestade. Ela se lembrava do susto pudico que tivera, pela manhã, ao erguer-se do leito. O lençol e suas calças de seda tinha pétalas de sangue. A rosa da sua puberdade se desfolhara na sua carne pálida, nessa noite comunista, nessa noite cheia de murros...

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Chapeuzinho Verde


- Era uma vez uma menina chamada Chapeuzinho Verde...
- Não! Chapeuzinho Vermelho!
- Ah, sim, é claro, Chapeuzinho Vermelho. Bem, um dia sua mãe a chamou e disse: Chapeuzinho Veerde!
- Vermelho!
- Desculpe! Vermelho. 'Filhinha, leve estas batatas para tia Maria...
- Não! Não é assim! 'Leve estes doces a casa da vovó. da vovó!
- Tem razão. A menina saiu e no bosque encontrou uma girafa e...
- Que trabalhada você está fazendo! Era um lobo!
- E o lobo disse: Seis vezes oito quanto é?
- Não! Não! O lobo lhe perguntou para onde ia.
- Sim para onde ia. E a Chapeuzinho Preto respondeu...
- Vermelho! Vermelho!! Vermelho!!!
- Ela respondeu: 'Vou à feira comprar tomates.'
- Não, não foi assim. Ela disse: 'Vou a casa de minha avó, que está doente, mas me perdi no caminho.'
- Claro! E o cavalo disse...
- Que cavalo? Era um lobo vovô.
- Pois era. E foi isso que ele disse: 'Pegue o ônibus 75, desça na primeira praça, vire a direita e diante do portão da primeira casa encontrara três degraus. Deixe os degraus onde estão, mas apanhe as moedinhas que estão em cima deles e compre uma caixinha de chiclete.'
- Vovô você é um desastre quando conta estórias. Mistura tudo. Mas, de qualquer maneira, uma caixinha de chiclete viria a calhar.
- Bem, tome o dinheiro.

E vovô continuou lendo o jornal...

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Rotina... acordar cedo toda manhã! Dia claro, e após alguns "longos" meses eu ainda estava me readaptando a acordar com disposição. Bem... até então aquela era apenas mais uma sexta-feira qualquer, de um mês qualquer, de um ano que insistia em correr. Porém, alguns fatos fizeram com que esse dia deixasse de ser meramente mais um. Te conheci e foi estranho. Estranho de minha parte como sempre! Eu, pra variar, com minha timidez... calado! nervoso talvez... e você ali ao meu lado, com seu sorriso. Primeira vez, mas era como se já te conhecesse há tempos e hoje passado algum tempo ainda guardo com nitidez os fatos. 

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Estou me sentindo como no filme "gigante"...

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Crônica

Já não passa nenhum carro por aqui
já não passa nenhum filme na tv
você enrola outro cigarro por aí
e não dá bola pro que vai acontecer
mais um pouco e mais um século termina
mais um louco pede troco na esquina
tudo isso já faz parte da rotina
e a rotina já faz parte de você
você que tem idéias tão modernas
é o mesmo homem que vivia nas cavernas
todo mundo já tomou a coca-cola
a coca-cola já tomou conta da china
todo cara luta por uma menina
e a palestina luta pra sobreviver
a cidade, cada vez mais violenta
(tipo chicago nos anos quarenta)
e você, cada vez mais violento
no seu apartamento ninguém fala com você
você que tem idéias tão modernas
é o mesmo homem que vivia nas cavernas

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Who really fucking cares?



Sempre. Eu sempre soube que não seria fácil, muito pelo contrário, Nada é fácil, tudo tem que ser conquistado. E dessa vez não foi diferente. Tentar superar essa dor não foi diferente. E mais uma vez, tudo ao contrário. Cada dia, a cada dia que passa essa dor só aumenta. Partindo meu coração em pequenos pedacinhos. Sinto aquela angústia, aquele bolo na garganta de tanta vontade de chorar. Mas tento ser forte. Tento superar... nem sempre é possível!

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Já dizia o poeta...

Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!

Que sol! que céu azul! que doce n'alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!

(Álvares de Azevedo)

sexta-feira, 31 de maio de 2013

há dias que simplesmente você se olha no espelho e não se reconhece!

Começo a achar que hoje é mais um desses dias... :(

domingo, 26 de maio de 2013

Robert Allen Zimmerman

Sexta feira passada - 24/05 foi aniversário do Sr. Dylan... Aqui aproveito para postar alguns vídeos do cara e de outros artistas tocando "O"  cara...

1 - Hurricane: Uma das minhas favoritas! está presente no disco desire de 1971, e narra a história verídica do boxeador Rubin "Hurricane" Carter.


2 - All I really want to do: Essa versão dos Byrds é muito boa, até mais do que a do Próprio Dylan.


3 - Mr tambourine man: Um clássico interpretado por Melanie Safka.


4 - Just like woman: The hollies plays Dylan


5 - Don't think twice, it's all right: Versão presente nas gravações do Nick Drake antes do lançamento do seu primeiro disco.


6 - Romance no deserto: Não poderia faltar uma versão brasileira... Romance in Durango presente no álbum Desire.


7 - Like a rolling stone: Afinal a maior banda de todos os tempos não poderia ficar de fora...


8 - Walking down the line: Bob Dylan não tocou em Woodstock, mas sua música esteve presente!!


9 - Blowing the wind: Clássico... "the answer my friend is blowing in the wind..."


10 - Chimes of freedom: O cantor do proletariado americano também entrou na lista

sábado, 11 de maio de 2013

O playboy que sonhava em ser rock star...


A história de Philippe Debarge e The Pretty Things, embora não seja amplamente conhecida, é uma das lendas mais interessantes nos anais do rock and roll. Philippe Debarge era um rico e excêntrico playboy francês que tinha dinheiro para comprar tudo, mas acima de tudo, ansiava em se tornar uma estrela do rock. Ele morava em um grande castelo em Saint-Tropez, França, com vista para o mar Mediterrâneo com a sua família que fez fortuna na indústria farmacêutica. A época é o início de 1969 e Philippe era um grande fã do The Pretty Things, que tinha acabado de lançar o LP SF ' Sorrow ", que é agora é considerado por muitos como um dos melhores álbuns da psicodelia sessentista do Reino Unido, mas na época, infelizmente, foi uma bomba comercial.

Debarge começou a buscar ativamente o Pretty Things na esperança de se associar com eles em um álbum de sua autoria onde ele iria cantar e levar adiante sua divulgação. Devido ao fracasso comercial de "S.F. Sorrow ", o Pretty Things precisava de dinheiro e com isso aceitou a proposta de Debarge. Não sabendo o que esperar desse projeto, mas em uma crise financeira, os dois principais membros da banda, Phil May e Wally Waller, viajaram para o Sul da França para se reunir com Debarge e ver de perto essa proposta incomum mas tentadora. Lá eles encontraram um Debarge inexperiente musicalmente, mas fervoroso e autêntico companheiro, superfã da banda e determinado a fazer da sua fantasia uma realidade. E o melhor de tudo. Ele tinha os recursos financeiros necessários para que isso realmente acontecesse. May e Waller ficaram com Debarge por cerca de 5 a 6 dias e o tempo necessário e único em suas vidas para comer alimentos exóticos, beber requintados vinhos franceses e dirigindo vários automóveis de luxo raros, incluindo um Rolls Royce 1908. Waller recorda que "a decisão mais difícil que eu tive que fazer enquanto eu estava lá era saber se utilizaria a piscina de água salgada ou a piscina de água doce."

A viagem a Saint-Tropez acabou cimentando uma amizade muito forte entre os Debarge e os dois membros do Pretty Things. Muitos planos foram feitos levar Debarge de volta a Londres, onde iria gravar seu primeiro álbum. A única condição importante para o acordo era que eles só trabalhassem com canções originais escritas pela própria banda. Os estúdios Nova foi escolhido, que, na época, foi um dos primeiros estúdios em Londres que tinha equipamento de gravação completa. Era o mais completo e bem equipado de todos. Debarge cuidava de tudo e não poupou gastos para equipar o projeto, para um tempo de estúdio longo e com o aluguel de instrumentos adicionais além dos da propriedade da banda...

Para um francês, Debarge falava Inglês excelente e, embora ele não tinha experiência prévia como vocalista, ele tinha um talento natural para cantar. A formação do Pretty Things que gravou o álbum era Phil May (vocal), Wally Waller (baixo, guitarra, teclados, percussão, backing vocals), Jon Povey (teclados, bateria, percussão, backing vocals), Victor Unit (guitarra e backing vocals) e Twink (bateria). O disco ficou excelente e inclui musicas em sua maioria nunca antes lançadas, mas com algumas interpretações originais de algumas músicas ( "Alexandre", "Eagle's Son" e "It'll Never Be Me") que também foram incluídas no disco Electric Banana.

O LP foi gravado em acetato, mas infelizmente nunca lançado oficialmente até 2009 quando então May e Waller se reuniram com a UT Records / Ugly Things e remasterizaram as gravações e, finalmente, editaram as faixas do CD como foi originalmente concebido para ser ouvido. Antes desta versão, tudo o que estava disponível dessas canções foi uma gravação de acetato muito pobre que pouco fazia justiça a esse grande trabalho.

quarta-feira, 8 de maio de 2013


Eu sou um homem só
Penando em solidão
Eu vivo e sofro só
E o resto é solidão
E do meu lado
Vão aqueles que sofrem também
Porque acreditam em mim
E do meu lado
Vão aqueles que me querem bem
Mas que já não acreditam mais... não mais.


segunda-feira, 22 de abril de 2013

Folha em branco

Trancado no quarto tentando escrever algo! muita coisa na cabeça, porém, nada no papel... a folha continua em branco! Compondo a trilha sonora os Smiths com Morrissey destilando canções e poesias de forma extraordinária!

Sentado na cama, janela aberta, céu limpo... Solidão?! não. A verdade é que você sumiu... 


"...Hand in glove. We can go wherever we please, and everything depends upon how near you stand to me..."

sexta-feira, 19 de abril de 2013

quinta-feira, 18 de abril de 2013

"livros no tempo do sofá"

Memórias de um Rato de Hotel, o presente que me dei no Natal. (Foto: Dez/2005)
Memórias de um rato de hotel - vida do Dr. Antônio narrada por elle mesmo. "Descobri" esse livro por indicação do Rodrigo Sputter (Vocalista dos Honkers (BA), e a primeira coisa que me chamou a atenção foi o título curioso, não captava o que viria a ser um "rato de hotel". Romance policial muito interessante onde nas 2 vezes que eu li fiquei totalmente entretido no texto. Creio que foi o primeiro livro que "devorei"... lembro de ter lido em poucos dias (normalmente sou vagaroso nas leituras).

Dr. Antonio foi um célebre ladrão da Belle Époque que ficou famoso por seus roubos inteligentes em diversos hotéis, onde se hospedava com identidades diferentes. O seu verdadeiro nome era Arthur Antunes Maciel, gaúcho de família respeitável levado ao crime por um destino atroz: não resistir à vida fácil e ao amor das mulheres. Suas histórias são picarescas e dotadas de muita esperteza. É um relato de extrema sinceridade, narrado por ele mesmo, quando estava preso na Casa de Correção, um ano antes de sua morte, aos 43 anos.

O Dr. Antonio professava a filosofia de que a mentira está na base de todas as instituições humanas – inclusive a Justiça. Assim, se o engano é universal, não haveria mal em furtar...

O livro é o nº 6 da Coleção Babel da editora Dantes (RJ).

terça-feira, 16 de abril de 2013

and this will be our year...

Ontem quando fui me deitar pus um disco que a muito tempo não ouvia... Odessey and Oracle do The Zombies! O resultado disso foi passar todo o dia de hoje com uma música na cabeça!!
"You don't have to worry all your worried days are gone and this will be our year! Took a long time to come..."

sábado, 13 de abril de 2013

Enquando isso a vida vai passando

E eu me sentindo cada vez pior...

quarta-feira, 6 de março de 2013

Via Láctea

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo 
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto, 
Que, para ouvi-las, muita vez desperto 
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las! 
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".




Gosto muito desse poema do Olavo Bilac... Ele jamais poderia imaginar que um dia os astrônomos poderiam, por intermédio das antenas de seus radiotelescópios, captar os ruídos provenientes das estrelas.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Eu não tou legal mas aguento mais birita...

E olhe quem eu nem bebo!! mas a situação tá foda!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

27 anos e nada... nada
O que parece é que as escolhas que fiz na vida foram todas erradas...  :(
"I could have been a sailor, could have been a cook
A real live lover, could have been a book.
I could have been a signpost, could have been a clock
As simple as a kettle, steady as a rock.
I could be
Here and now
I would be, I should be
But how?
I could have been
One of these things first"