quarta-feira, 8 de maio de 2013


Eu sou um homem só
Penando em solidão
Eu vivo e sofro só
E o resto é solidão
E do meu lado
Vão aqueles que sofrem também
Porque acreditam em mim
E do meu lado
Vão aqueles que me querem bem
Mas que já não acreditam mais... não mais.


segunda-feira, 22 de abril de 2013

Folha em branco

Trancado no quarto tentando escrever algo! muita coisa na cabeça, porém, nada no papel... a folha continua em branco! Compondo a trilha sonora os Smiths com Morrissey destilando canções e poesias de forma extraordinária!

Sentado na cama, janela aberta, céu limpo... Solidão?! não. A verdade é que você sumiu... 


"...Hand in glove. We can go wherever we please, and everything depends upon how near you stand to me..."

sexta-feira, 19 de abril de 2013

quinta-feira, 18 de abril de 2013

"livros no tempo do sofá"

Memórias de um Rato de Hotel, o presente que me dei no Natal. (Foto: Dez/2005)
Memórias de um rato de hotel - vida do Dr. Antônio narrada por elle mesmo. "Descobri" esse livro por indicação do Rodrigo Sputter (Vocalista dos Honkers (BA), e a primeira coisa que me chamou a atenção foi o título curioso, não captava o que viria a ser um "rato de hotel". Romance policial muito interessante onde nas 2 vezes que eu li fiquei totalmente entretido no texto. Creio que foi o primeiro livro que "devorei"... lembro de ter lido em poucos dias (normalmente sou vagaroso nas leituras).

Dr. Antonio foi um célebre ladrão da Belle Époque que ficou famoso por seus roubos inteligentes em diversos hotéis, onde se hospedava com identidades diferentes. O seu verdadeiro nome era Arthur Antunes Maciel, gaúcho de família respeitável levado ao crime por um destino atroz: não resistir à vida fácil e ao amor das mulheres. Suas histórias são picarescas e dotadas de muita esperteza. É um relato de extrema sinceridade, narrado por ele mesmo, quando estava preso na Casa de Correção, um ano antes de sua morte, aos 43 anos.

O Dr. Antonio professava a filosofia de que a mentira está na base de todas as instituições humanas – inclusive a Justiça. Assim, se o engano é universal, não haveria mal em furtar...

O livro é o nº 6 da Coleção Babel da editora Dantes (RJ).

terça-feira, 16 de abril de 2013

and this will be our year...

Ontem quando fui me deitar pus um disco que a muito tempo não ouvia... Odessey and Oracle do The Zombies! O resultado disso foi passar todo o dia de hoje com uma música na cabeça!!
"You don't have to worry all your worried days are gone and this will be our year! Took a long time to come..."

sábado, 13 de abril de 2013

Enquando isso a vida vai passando

E eu me sentindo cada vez pior...

quarta-feira, 6 de março de 2013

Via Láctea

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo 
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto, 
Que, para ouvi-las, muita vez desperto 
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las! 
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".




Gosto muito desse poema do Olavo Bilac... Ele jamais poderia imaginar que um dia os astrônomos poderiam, por intermédio das antenas de seus radiotelescópios, captar os ruídos provenientes das estrelas.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Eu não tou legal mas aguento mais birita...

E olhe quem eu nem bebo!! mas a situação tá foda!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

27 anos e nada... nada
O que parece é que as escolhas que fiz na vida foram todas erradas...  :(
"I could have been a sailor, could have been a cook
A real live lover, could have been a book.
I could have been a signpost, could have been a clock
As simple as a kettle, steady as a rock.
I could be
Here and now
I would be, I should be
But how?
I could have been
One of these things first"

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O trovador solitário


Não! Não estou me referindo à Renato Russo, mas sim a um outro trovador: Nick Drake. 

Poucas vezes na música se viu a capacidade de combinar melancolia em acordes tão dissonantes, beleza harmônica com temas bucólicos e até mesmo cotidianos. 
Compositor, poeta e cantor... morreu jovem e sem o devido reconhecimento! Foi mais um, dentre tantos, que só tiveram o devido valor reconhecido após a morte.
Nascido em 19 se junho de 1948 no interior da Inglaterra. Fez tudo como manda a regra: era bastante educado, destacando-se na escola. Ganhou uma bolsa de estudos em Literatura Inglesa na Universidade de Cambridge e nesta época começou a usar maconha, viajou com amigos para o Marrocos e teve sua primeira experiência com LSD. Seus tutores na universidade o descreviam como um aluno brilhante, porém sem vontade de desenvolver seu potencial. O que contrapõe seu estudo nas seis cordas do instrumento acústico, onde se tem relatos de uma aplicação com disciplina exacerbada. 
A morte do cantor é uma incógnita, alguns dizem que Drake teria se suicidado e o inquérito oficial diz que ele morreu por uma intoxicação aguda auto-administrada enquanto sofria de uma depressão , concluindo como suicídio. 


DISCOGRAFIA:

FIVE LEAVES LEFT: o álbum rural 
As sessões de gravação de Five Leaves Left começaram em Junho de 1968. O trabalho de composição estava há muito concluído e só faltavam mesmo os arranjos. Por insistência de Nick, essa tarefa foi confiada a Robert Kirby, um colega de Cambrige, com quem Drake viria a trabalhar também no disco seguinte. O título foi retirado do subtil aviso que acompanha cada pacote de mortalhas Rizla, avisando que este se aproxima do fim. O álbum saiu em 1969 e vendeu cinco mil cópias, número considerado interessante para um disco de estreia que não havia merecido qualquer esforço de divulgação.
Five Leaves Left é um impressionante primeiro álbum. Não sendo ainda uma colecção equilibrada de canções, inclui uma boa mão cheia das melhores composições que o seu génio legou à posteridade – “Time Has Told Me”, “River Man”, “Way To Blue”, “Day Is Done” ou a profética “Fruit Tree”. Não que se deva menosprezar o apuradíssimo trabalho de guitarra sobre o qual se constrói “Three Hours”, a ingenuidade em jeito de canção de embalar de “Cello Song” ou a inteligência precoce e a comovente lucidez que se encontram em “Saturday Sun”, tantas vezes injustamente esquecida, quando se tenta esboçar o alimento para um (im)possível Best Of. Se existe alguma pertinência nesta distinção, ela tem que ver precisamente com o alinhamento, a temática, enfim, com a concepção do disco, não estando nunca em causa a validade das canções enquanto pequenos e inestimáveis tesouros artísticos.
Apesar de estarem presentes em todos os trabalhos de Nick Drake, o tempo, os ritmos e os ciclos naturais (as estações do ano, os dias da semana, a corrente de um rio) são os protagonistas de uma obra que poderia muito bem servir de fundo sonoro a uma leitura das Songs of Innocence, de William Blake, a quem Drake deverá certamente muito na forma como utiliza os símbolos na construção poética. Assim como deverá também a Robert Kirby, cujos arranjos são em boa parte responsáveis pela ambiência inimitável e pelo esplendor lírico do disco.

BRYTER LATER: o álbum urbano
Após o lançamento do primeiro álbum, Nick Drake abandonou Cambrige e trocou Tanworth in Arden por um quarto estúdio em Haverstock Hill, Londres, na esperança de se tornar músico a tempo inteiro. Foi nesse pequeno espaço, mobilado apenas com uma cama, um gira-discos e uns quantos livros e posters que compôs as canções para o seu segundo álbum, Bryter Layter. Como da primeira vez, a Island não poupou esforços para garantir ao jovem compositor todos os meios necessários para a elaboração do disco, que seria como que uma prova de amadurecimento pessoal e artístico. Nomes como o de John Cale serviram para dar ainda mais credibilidade ao projecto, que deveria finalmente permitir ao tímido artista alcançar o tão desejado reconhecimento público.
Quando o disco foi lançado, em Novembro de 1970, a atmosfera era de confiança. Potenciais singles de sucesso não faltavam: “Nothern Sky”, “One Of Those Things First”, “Hazey Jane II”, “Poor Boy” ou “At The Chime Of a City Clock” eram fortes candidates à conquista de tempo de antena nas estações de rádio. Mas, mais uma vez, as esperanças saíram logradas e, num ano em que a “concorrência” foi particularmente forte, Bryter Layter acabou por ser preterido face a outros discos que fizeram história (II, dos Led Zeppelin; Imagine, de John Lenon; Sticky Fingers, dos Rolling Stones ou Bridge Over Troubled Water, de Simon & Garfunkle).
Bryter Layter é, porventura, o seu trabalho mais acabado, o mais consistente, o mais perfeito no seu conjunto. Na composição, é notória a convergência de todas as referências num todo mais equilibrado e harmonioso, que se nota ter sido explorado e polido com minúcia, paciência e virtuosismo. Na escrita, a paleta cromática expande-se para lá do azul e do verde, e descobre o cinzento. O pulsar incessante e frenético da metrópole apela ao desejo de evasão e leva Nick Drake a procurar refúgio no mesmo silêncio contemplativo e inquieto a que já se tinha entregue na sua pacata Transworth-In-Arden. Bryter Layter é melancolia pintada com as cores e as luzes da cidade, reconstruída pelo artista sobre a tela cinzenta da atmosfera pesada, do burburinho, das torres e dos relógios.
Por tudo isto, Bryter Layter é menos místico do que o seu antecessor. Mas não menos assombrado. Na cidade, o artista já não pode fugir à condição humana. Continua a ser um outsider, um estrangeiro que se sente nas entranhas, o contraste absurdo entre a paixão pela existência individual e o determinismo do imparável fluxo das pessoas e do tempo. Mas este é um tempo diferente, não na essência, mas no ritmo. Talvez por isso, Bryter Layter seja considerado por muitos como o disco mais “mexido” de Drake. Um clássico absoluto e uma delícia para os sentidos logo a primeira escuta.

PINK MOON: o álbum solitário
Imediatamente a seguir ao lançamento de Bryter Layter, Nick Drake deu a sua única e brevíssima entrevista. Nessa altura, manifestou vontade de fazer um disco só com guitarra e voz. Em 1972, durante duas noites, fechou-se no estúdio com Joe Boyd e gravou as 11 canções que constituem Pink Moon. Conta-se que terá deixado a master tape nos escritórios da Island sem avisar ninguém, e que terão passado dias até alguém dar conta disso.
Agredido no seu sentido de justiça e nas suas esperanças, Nick Drake começara a encerrar-se cada vez mais sobre si próprio, atormentado pela ideia de ter que trabalhar em qualquer outra coisa para sobreviver. O seu estado começou a deteriorar-se visivelmente e Pink Moon, o derradeiro trabalho de estúdio, é o documento dessa decadência. Se no disco anterior Drake mostrara ser capaz de exorcizar os seus demónios com uma certa dose de ironia e distanciamento (“Poor Boy” é disso o melhor exemplo), em algumas canções de Pink Moon o artista cedeu à auto-indulgência e a uma atitude niilista, como se pode verificar em “Parasite”.
O isolamento a que Drake se votou conferiu ao álbum uma atmosfera crua e intimista. Estas características tornaram-no difícil para o ouvido menos atento. A primeira reacção será de estranheza em relação à nudez da forma e à ausência de arranjos. Mas no fundo está tudo lá: o ritmo, a melodia, o tom sussurrado, a poesia. Contudo, é fácil ver que este disco também não iria fazer do seu autor uma estrela. E, no entanto,Pink Moon é um retrato sem paralelo da essência e da arte do seu criador. Canções como “Pink Moon”, “Place To Be”, “Things Behind The Sun”, “Parasite” ou “From The Morning” são testemunhos da agonia e luta desesperada que marcaram os últimos anos de Nick Drake. Despidas de todos os ornamentos, estas composições constituem simultaneamente as suas Songs of Experience e um derradeiro retorno às origens a que apetece regressar vezes sem conta.

TIME OF NO REPLY: o álbum póstumo
As “sobras”, versões alternativas e gravações domésticas reunidas no póstumo Time Of No Reply revelam aspectos essenciais da arte de Drake e fazem do disco um objecto deveras interessante. Frank Kornelussem escreve no livreto do CD que “as histórias sobre a vida de Nick Drake são tantas e tão diversas como as pessoas que as contam”. Nos dias de hoje, em que assistimos impávidos ao definhar das utopias, o espólio de Nick Drake apela ao que de mais primitivo e absoluto existe na consciência universal – o desejo de transcender a própria existência. Fazendo frente ao absurdo, na completa ausência de esperança e munido apenas de uma consciência pessoal do cosmos e da história, o artista tenta combater a tirania da indiferença do tempo e a supremacia do esquecimento sobre a memória dos homens.
Há um desespero pacífico que ensombra a obra de Drake e que transcende as barreiras da linguagem, da individualidade, do senso comum e do próprio tempo. Para alguém que viveu uma vida tão curta, o universo de Nick Drake é incrivelmente vasto, por vezes num sentido quase diabólico de intensidade e iluminação. Mas as sombras que povoam esse universo não são suficientemente densas ou imateriais para serem tomadas nas trevas. Ao contrário de Fausto, Nick Drake é demasiado cristalino para ser diabólico. Talvez para nós, filhos dos anos 80 e 90, o seu conhecimento do mundo e das coisas pareça demasiado interior, demasiado mágico. No entanto, essa sabedoria é impírica e concretiza-se na sua arte.
Nick Drake acreditava na transcendência, num plano mais elevado do espírito. Provavelmente, a reconstituição mais abrangente dessa busca e desse apuramento encontra-se em Time Of No Reply. Esta compilação de 14 temas inclui cinco canções inéditas e duas versões alternativas (“Man In A Shed” e “The Thoughts Of Mary Jane”), provenientes das sessões de gravação de Five Leaves Left. A estas juntam-se as quatro canções registadas durante a derradeira sessão de estúdio que Nick Drake realizou em 1974.
Extremamente desequilibrada enquanto disco, esta colecção de composições dispersas trata de conferir uma materialidade inédita ao percurso artístico e pessoal de Drake, principalmente por incluir duas gravações domésticas. Gravações que, com uma qualidade de som duvidosa, mostram uma faceta quase desconhecida do autor: a de trabalhador incansável, perfeccionista, compulsivo, muito para lá das atribulações da vida e da mente. O interesse que despertam é tal que se aguarda para breve a edição de uma caixa que incluirá grande parte desse espólio. Será certamente bem-vinda, como qualquer outro esforço válido para preservar uma obra que merece um lugar cativo nas nossas memórias e, hoje mais do que nunca, nas nossas vidas.

Fonte web




quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Florbela

Florbela Espanca a noite,
Queimando em seus lençóis.
Sorri enquanto dorme,
Veronal

Werther verteu-se em flores,
Mas não consegue chorar.
Por onde andam as cores,
Que o sol quis... vomitar??

Murrah me trouxe horrores,
Fez Rimbaud se curvar.
Ruinas cegas das torres,
Por onde Ismália andará??

- Metralhando o céu... entre a lua e mar.
- Metralhando o céu... resvalando o ar.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Solta o Blues... com uma pitada de rock!

Tentarei expor abaixo alguns de meus discos favoritos de Blues/Rock, estilo o qual aprecio muito. 


The Sacred Mushroom (1969)
Sacred Mushroom é mais um disco da minha prateleira e mais um que consegui em 2007. Sem titubear eu diria que esse é um dos meus discos preferidos independente de estilo... sempre escuto e cada vez eu gosto mais! Esses cogumelos são realmente sagrados! Som bacana em uma mistura de blues/rock com uma pitada psicodélica.








Canned Heat - Future Blues (1970)

Canned Heat... uma das bandas que eu acho mais legais no estilo. Poderia citar aqui qualquer disco dos caras, porém, aqui eu coloco o Future Blues (1970) pois, foi o último disco lançado com a formação clássica contando com Bob "The Bear" Hite nos vocais e o guitarrista Alan "Blind Owl" Wilson.








Savoy Brown - Street corner talking (1971)
Savoy Brown é uma das bandas que conheço que mais mudou a sua formação (até mais que os Engenheiros do Hawaii). Hoje em dia creio que apenas o guitarrista Kim Simmons ainda resiste na banda. Esse disco, lançado em 1971,  marcou a primeira grande mudança no line up do grupoO disco está na minha prateleira desde 2007 e sempre vai parar no player. 







Krokodil (1969)

Krokodil é uma banda Suíça e lançou o primeiro disco em 69. Esse é o meu favorito do grupo, e é o que tem o som mais voltado para o blues. A versão que eles fizeram para a musica do cantor Folk Tim Hardim "Do not make promises" é fenomenal!
  

terça-feira, 19 de julho de 2011

sem nome

Meus dedos enforcam as palavras que nunca foram ditas
Esmagam os sonhos que nunca foram realizados
As imagens se vão sem nunca serem vistas
E levam os erros sem nunca terem sido perdoados

Minha mente imagina que ainda posso ser forte
E que eu ainda possa viver
Mas o que vejo é a triste morte
Que irá me enlouquecer

Estou perdendo a noção de tudo
Preciso que alguém estenda sua mão
Não posso enxergar o mundo
Pois estou preso na escuridão

Tudo o que faço é fugir da realidade
Fingir que é alegre o meu sorriso
Estou vivendo nessa insanidade
Esperando você me tirar desse abismo

segunda-feira, 18 de julho de 2011

strange...



"Agonizo se tento
retomar a origem das coisas
sinto-me dentro delas e fujo
salto para o meio da vida
como uma navalha no ar
que se espeta no chão

Não posso ficar colado
a natureza como uma estampa
e representá-la no desenho
que dela faço
não posso
em mim nada está como é
tudo é um tremendo esforço de ser."





"Strange days have found us.  Strange days have tracked us down..."
(The Doors - Strange days) 

segunda-feira, 11 de abril de 2011

O acaso não tem pressa

Vou me basear na letra de Paulinho da Viola para postar!
"Aproveitou minha ausência
E jurou de mão no peito
Entregou os meus defeitos
Fez a cama onde me deito

Para 'ele se deitar'..."

:(

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Quando eu fui ferido...


AO CORAÇÃO QUE UM CORAÇÃO TRAIU

Ah! Se eu pudesse, coração ferido,
Vingar as mágoas por que tens passado!
Sentir-te duro te sentindo amado
Por que te fez de coração traído.

Ah! Se eu pudesse para ver vencido
O ser que te fez de coração chagado,
Já que de tanto não te é chegado,
Já que de tanto nâo te é podido;

Ver-te querido; e apaixonado e, louco;
Ter-te no peito pelo mesmo afeto
Mas, nesse afeto, de coragem firme

Ao ver quem foi os teus carinhos mouco
Mostrar vingança pelo mesmo afeto
E o estrangular te estrangulando a rir-me.

JOÂO LINS CALDAS (1888-1967)

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Keith Richards e as Baratas


Quando a bomba H tiver explodido
quando não houver mais chocolate
quando David Bowie morrer
eis que baratas brotarão da terra
com suas asas blindadas
suas antenas raio-laser
então Keith acordará do pó
com seu fígado invencível
com seu encéfalo de lítio
juntos para vencer o caos nuclear
para almoçar detritos
para continuar a vida...

terça-feira, 15 de julho de 2008

Vida conjugada

"Após adormecer o fervor das pancadas sobre a pele ela observa acuada em um canto mergulhado em culpa balbucia a tremer os lábios com ar infantil: - perdão! suas lágrimas respingavam sobre as mãos inchadas e feridas ela abre os braços e lhe recebe com o coração na goela e responde rouca: - e por que não?"

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Que cidade é esta, em que tantos vivem, mas que só você vive, que só você vê? É sua a cidade dos que olham para cima? É sua a cidade dos que olham para o chão, para as calçadas, para os degraus? Ou a cidade dos que não olham, dos que não vêem? A sua é a cidade em que a barriga pesa até libertar uma nova vida, ou aquela em que não se pode falar em barriga? Conte como é a cidade dos que se dóem de amor e a das para quem o ato de amar dói. Vamos ler a cidade dos que ouvem outros sons e a dos que não ouvem som algum. A dos que tocam sons que não se ouve e a dos que não emitem sons. Como é a sua cidade, se sua cidade é sua cor? Como é sua cidade, encoberta pelo olhar viciado do cotidiano, escondida pela indiferença ou apenas tímida, recôndita: cidade invisível.

domingo, 23 de março de 2008

Na ponta de um penhasco tenho medo de pular. Tenho medo também de não pular e ficar para sempre aqui. Mas preciso pular para voar e seguir minha vida. O pior é que não sei voar e terei que aprender na hora, se não conseguir irei cair, me ferir e ter que escalar o penhasco para tentar outra vez. No céu infinito a vida e os acontecimentos, nas frágeis asas minhas experiências de vida quase inexistentes e poucas penas de sabedoria. No fim da queda do penhasco o meu próprio reflexo, o resultado de minhas ações. Quero voar, sentir, viver, me libertar, amar, crescer, construir... Mas se cair espero não querer morrer de novo...