Se me perguntassem quando foi que eu soube que te amava, acho que eu não conseguiria responder.
Não foi em um momento cinematográfico. Não tocou uma música especial, não caiu uma chuva bonita e ninguém interrompeu o tempo para a gente se beijar.
Acho que fui descobrindo aos poucos.
Descobri no nosso "apertamento", onde a gente vive desviando um do outro pela cozinha, dividindo espaço no armário e aprendendo que, às vezes, felicidade também ocupa poucos metros quadrados.
Descobri nas manhãs em que acordo mais cedo para preparar o café e fritar os ovos, enquanto você ainda está vencendo a batalha contra o despertador. E, quando saio para comprar pão, a pergunta já virou um ritual:
— Quer que eu traga mais alguma coisa?
Quase nunca é sobre o pão.
Descobri também que amar alguém é desenvolver gostos muito particulares.
Por exemplo, eu jamais imaginei que um dia gostaria tanto do seu suvaquinho.
Qualquer pessoa pode achar isso estranho. Eu acho bonito.
Porque o amor tem esse poder curioso de transformar detalhes comuns em lugares de afeto. O cheiro da sua pele, depois de um abraço demorado, diz muito mais sobre felicidade do que qualquer perfume caro jamais conseguiria dizer.
Talvez ninguém entenda.
Mas também acho que o amor nunca foi feito para ser entendido por quem está de fora.
Foi feito para ser vivido por quem está dentro.
E tem os doramas.
Confesso que, até hoje, continuo convencido de que os atores são sempre os mesmos. Eles apenas trocam de roupa e de corte de cabelo e fingem que eu não vou perceber.
Você ri de mim.
Eu tento acompanhar a história.
Em algum momento, inevitavelmente, começo a piscar mais devagar... e, quando vejo, perdi metade do episódio.
Você pergunta:
— Você dormiu?
E eu, com a maior cara de pau do mundo, respondo:
— Claro que não. Eu só estava descansando os olhos.
Nunca cola.
Mas, se eu pudesse escolher entre assistir ao melhor filme do mundo sozinho ou cochilar no sofá enquanto você vê mais um dorama, eu escolheria o sofá.
Porque, no fim das contas, nunca foi sobre o que está passando na televisão.
Sempre foi sobre estar passando a vida com você.
E agora tem também as noites.
Depois do jantar, antes de dormir, você quase sempre me pergunta se eu quero pipoca.
Eu digo que não.
Mas, quando ela fica pronta, acabo comendo mesmo assim.
Talvez porque a pipoca venha com o seu jeito de insistir, com o cheiro da cozinha, com a calma de quem transforma o fim do dia em mais um pequeno gesto de carinho.
A novela das nove, que a gente assistiu fielmente do início ao fim.
Sem pressa, sem abandonar no meio, sem fingir que não estamos envolvidos na história.
É quase um compromisso nosso, desses que parecem simples, mas que vão costurando a rotina com uma delicadeza bonita.
É engraçado perceber que o amor vai mudando de endereço.
Quando somos mais novos, imaginamos que ele mora nas viagens inesquecíveis, nas declarações grandiosas, nas fotos perfeitas.
Hoje eu acho que ele mora em outro lugar.
Mora na lista de compras da geladeira.
Na louça que um lava enquanto o outro seca.
Na pergunta sobre o pão.
No café da manhã de uma terça-feira qualquer.
No nosso apertamento.
No seu suvaquinho.
Nas piadas repetidas.
Nos episódios de dorama que eu nunca consigo terminar acordado.
Na pipoca que você pergunta se eu quero e eu digo que não, mas acabo comendo.
Na novela Três Graças que a gente acompanhou do começo ao fim.
E talvez seja justamente isso que torne tudo tão bonito.
Porque, entre todas as vidas que eu poderia viver, a minha favorita é essa.
A que tem você.
Te amo.

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